sábado, 3 de junho de 2017

Paixão e Extase

Se considerarmos os sentimentos numa escala de intensidade, a paixão e o êxtase são por certo as que ocupam o lugar cimeiro.

A Paixão é sem dúvida um propulsor para o êxtase, e não me confinado apenas ao estimulo agregado à sexualidade, esse sentimento é profundamente enraizado por um interesse ou uma atracção que nem sempre conseguimos explicar. Afinidades infinitas que provocam a nossa atenção e que agregam intensidades de acordo com a nossa vontade de concretizar.

A Paixão, nesse fluxo orientado, tem a capacidade de provocar em nós alterações comportamentais, que nem nós mesmos conseguimos perceber ou entender. Isso porque ela nasce de uma vontade intrínseca de mudar de um padrão adormecido de vivência para uma estado desperto e activo onde a vontade de viver intensamente as suas acções se manifesta com mais amplitude e certeza.

Isto porque conseguimos "sem pensar" muito orientar esse fluxo para algo que nos satisfaz e nos dá prazer. Não procuramos satisfação na explicação, sabemos que é bom e isso chega-nos.  No entanto, a paixão, ainda assim é considerada um excesso comportamental e como todos os excessos, provoca desequilibro a longo prazo se não evoluir para um outro estado mais estabilizado, desgasta-nos.

Na paixão a impulsividade, a inquietação, o entusiasmo e o desespero são emoções que tendem em tomar alguma proporção, excessos mais abusivos, controladores mentais, e por conta dessas emoções assim se aniquila um sentimento que na origem tinha tudo para tornar a nossa experiência de vida num êxtase permanente.

A Paixão não tem que desaguar num fanatismo de tormentos e martírios, numa provocação continua pela vida.  Se na Paixão assistimos a ondas intensas de emoção, Sabemos que ela nasce de algo mais extenso e sereno... Toda a onda nasce do Mar, e esse mar imenso e infinito que abraça e acolhe todas as ondas é o Amor. Se a paixão nos prende o Amor Liberta, a paixão pode ser efémera o amor é eterno. A Paixão tem uma direcção um objecto o Amor não. A paixão pode ser a crista da onda, que nos faz mergulhar no oceano do Amor. Mas porque ele já existe, porque ele é que nos desperta para a vida, para as intensidades e para as calmarias.

É nessa entrega, constante pela intensidade e a quietude de regressar a uma calmaria abundante em nós que nasce o Êxtase. A aceitação dessa ondulação a que não pertencemos mas de que fazemos parte. E nesse continuo atento, nessa expressão, em postura consciente de rendição, do Amor e da Paixão nasce o Êxtase pelas subtileza da emoção.... como uma maresia constante em sublimação presente.


Com Amor

Anká Devô







 








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